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Emagrecer não se restringe apenas a uma lista de alimentos e calorias. O tecido gorduroso não é apenas um depósito de gordura. Trata-se de uma grande glândula endócrina controlada por muitas substâncias e mecanismos bioquímicos a nível local e totalmente integrada ao Sistema Nervoso Central (cérebro). No controle de estoque em nosso cérebro existe uma quantidade determinada de tecido gorduroso. Quando -tentamos - emagrecer, milhões de reações químicas fazem tudo para que esta quantidade continue constante. Vamos chamar isto de auto-boicote.

Da mesma forma que a maioria de nós é resistente a mudanças, nosso organismo também. Por isso, toda mudança deve vir incorporada em nosso padrão de pensamento. É a única forma do nosso cérebro aceitá-la sem ansiedade.

O que vamos mudar é a atitude diante do emagrecimento. O tecido gorduroso é extremamente temperamental e fará tudo para defender o que lhe pertence, mesmo que ele esteja dentro do seu corpo. Nenhum órgão acatará uma ordem que lhe seja prejudicial, pois é um sistema extremamente inteligente e age sempre em conjunto. Não conseguimos ordenar ao coração para parar de bater, pois é uma atitude suicida, egoísta e outros dependem de sua ação. Então a decisão sempre implica no melhor para todos.

Em resumo, qualquer alteração envolve milhões de células que farão todo o possível para que tudo volte à estabilidade. Não podemos impor nossa vontade, mas é possível transformar esta - criança temperamental - em um anjinho - sem nunca esquecer de suas tendências.

Quem é magro possui mecanismos reguladores que atuam perfeitamente em qualquer alteração de peso. No obeso, ao contrário, nem tudo funciona como deveria. Os mecanismos são mais lentos. Quando estamos acostumados a subir cinco andares de escada, o fazemos como a coisa mais natural do mundo. Mas se usamos o elevador e um dia acaba a luz, os mesmos cinco andares representam um martírio. A subida é lenta, paramos para descansar, mesmo assim, conseguimos chegar lá. Da mesma maneira, o magro exercita seus mecanismos bioquímicos constantemente, enquanto o obeso caminha numa via de mão única e, de vez em quando, muda o sentido.
Trecho do livro: Quem disse que comer engorda?
Dra. Paula Cabral. Ed. Matrix, 4a edição.